terça-feira, 9 de junho de 2020

BARBOSA FERRAZ: Acusações de crime eleitoral e polêmica envolvendo moradores e pré-candidata a prefeitura



O caso ganhou repercussão após um blogueiro da cidade, Celso Lima, fazer uma grave denúncia em suas redes sociais, apontando para um caso de crime eleitoral na pré-campanha da empresária Marinalva Carvalho, que no ano passado divulgou sua pré-candidatura à prefeitura de Barbosa Ferraz. O caso, segundo Lima, seria de “voto de cabresto”, ação comum pelo abuso do poder econômico. Isso é um mecanismo muito recorrente no interior do Brasil como característica do coronelismo.


Lima postou em seu perfil social, no Facebook, um texto trazendo um áudio, onde supostos moradores da Vila do Roque conversavam pelo WhatsApp, relatando um esquema para distribuição de cestas básicas para famílias carentes do bairro. Lima ainda afirma que o esquema também foi montado em alguns distritos, como Ourilândia e Bourbônia, usando pessoas ligadas a pré-candidata.


No esquema, a pessoa recebia a cesta básica, condicionada a fornecer seus documentos pessoais, como CPF e tirar uma foto recebendo os alimentos. Ainda segundo os relatos, em seguida esses nomes seriam inseridos em um cadastro, que então seria entregue a pré-candidata Marinalva.

Ainda de acordo com Lima, um caminhão com os alimentos teria estacionado e descarregado na residência de um professor de artes marciais, na Vila do Roque.

Lima ainda cita que os alimentos foram entregues a um pastor que reside na Vila do Roque, onde mantém uma igreja, para que ele fizesse o trabalho de distribuição dos alimentos as famílias escolhidas.

A coluna, ao tomar conhecimento da publicação ainda ontem, segunda-feira (8), passou a investigar o caso para saber até onde havia verdade em toda história.

Nossa reportagem foi primeiro até a casa do pastor Afreu, na Vila do Roque, onde o questionou sobre a denúncia.

Perguntado se era verdade o fato dele ter recebido as cestas básicas e distribuído para famílias. Ele disse que sim.

Perguntado sobre o envolvimento da pré-candidata Marinalva na distribuição das cestas. Ele negou e disse que as cestas foram doadas para os membros da igreja.
“Sobrou quatro cestas e essas pessoas pediu, mas olha, essas cestas não é para dar pra quem não é membro da igreja”, disse Afreu.
Perguntado em seguida para Afreu como conseguiu as cestas, ele disse:
“Mestre Júlio ganhou essas cestas lá (Curitiba) para distribuir para os membros de Foz do Iguaçu, aí o Jaime pediu um pouco”, disse Afreu. 
(Mestre Júlio C. Abadie, é um Argentino radicado em Curitiba, que foi quem formou o professor de artes marciais de Barbosa Ferraz). Em seguida Afreu disse que os dois mantém boa relação e por isso o Argentino enviou as cestas que sobraram.

Nossa reportagem disse a ele que tinha conhecimento que os dois haviam rompido relacionamento há mais de dois anos e que ele não poderia ter enviado as mercadorias e Afreu disse que não, que eles são amigos sim.

Perguntado novamente a Afreu como chegou a ele, as cestas, ele afirmou: 
“Veio na casa do Jaime”; disse.
Afreu também negou que estivesse exigindo os documentos pessoais das pessoas e fotos, relatando ainda que os membros da igreja já possuem uma espécie de cadastramento por fazerem parte da igreja e são fáceis de identificar. Questionado mais uma vez sobre as pessoas de fora da igreja que receberam, ele disse que não exigiu nada das pessoas, apenas doou por caridade, negando mais uma vez o envolvimento da pré-candidata Marinalva Carvalho. (Em uma conversa gravada, às 13h30min de ontem, segunda-feira (8), de cerca de 6 minutos, Afreu deu outros detalhes do caso).

Logo em seguida nossa reportagem entrou em contato com um dos moradores da Vila do Roque, envolvido no caso, e ele confirmou toda informação divulgada por Lima, afirmando que o pastor estaria mentindo. Ele ainda entregou um áudio com uma conversa de whatsApp entre os dois, onde Afreu diz as seguintes palavras: 
“Ela deu, pode ficar tranquilo que eu risquei aqui”. 
Segundo Claudio, quando ele fala que riscou seria o nome e número dos documentos e diz para ele ficar tranquilo. 

(Clique duas vezes no player e ouça o áudio)


O morador, conhecido por Claudio, foi perguntado como conseguiu a doação e ele disse que foi na casa do pastor:
“Aí eu cheguei lá o Afreu falou pra mim que tinha que ter o número do CPF, pegar os documentos, aí eu perguntei, mas porque os documentos se a cesta é para doar, daí ele disse que a cesta é de uma pré-candidata aí e tem que preencher para levar para ela lá, aí assim que a ficha tivesse preenchido tudo daí que ia vim. Daí beleza, eu preenchi a ficha lá”, disse Claudio.
 (Clique duas vezes no player e ouça o áudio)

“Como eu, bastante gente fez igual, daí no dia de entregar a cesta ele veio aqui e ainda fez questão de tirar uma foto entregando a cesta”, completou.

A reportagem da coluna ainda foi atrás do Mestre Júlio Cesar Abadie, que foi citado por Afreu como sendo o doador citado por Afreu e conversou através de aplicativo de mensagens.

Abadie, que é mestre de artes marciais e formador do professor de Barbosa Ferraz, ficou espantado com o fato de envolverem seu nome em toda trama e disse desconhecer qualquer situação nesse sentido. Disse ainda que não é verdade e que não mora no Brasil há pelo menos dois anos. Abadie disse a nossa reportagem que atualmente reside em uma cidade na região metropolitana de Assunção, no Paraguai.

Ele disse ainda que não tem qualquer relação pessoal com o professor de Barbosa Ferraz desde quando ele saiu de sua federação. 

“Não existe isso, faz muito tempo que a gente não se fala”, disse Júlio Cesar Abadie em uma das mensagens.
 




A coluna também entrou em contado com Odair José, esposo de uma empresária da capital, Lucia Rolzão, que foram citados por Lima como possíveis doadores, já que todos os anos, de forma anônima, ajudam pessoas carentes no município de Barbosa Ferraz. Eles negaram veementemente qualquer envolvimento no caso e disseram não agir dessa forma quando querem ajudar pessoas carentes e sempre evitam qualquer conotação política.

No final da tarde de ontem, após a conversa da reportagem com Afreu, um ex-morador da Vila do Roque, morador de Curitiba, que segundo informações é filho de um morador bastante popular e dono de um bar na Vila do Roque, e demonstrou no texto que publicou ter relação com o professor Jaime, escreveu em suas redes sociais afirmando que teria sido ele quem enviou as cestas para distribuir em Barbosa Ferraz e acusou Lima de fazer política.




Mais tarde Lima voltou a escrever em suas redes sociais, afirmando que uma das pessoas que gravou um dos áudios, que ele divulgou, teria sido ameaçada de perder a casa onde mora, mas não deu muitos detalhes de como aconteceu. Segundo a postagem de Lima, uma das pessoas, que delatou os fatos narrados por ele, estaria sendo ameaçada.



Na manhã desta terça-feira (9) fomos até a Vila do Roque e após uma das moradoras concordar em falar a nossa reportagem, ela esclareceu como foi sua participação no caso.

Clique duas vezes no player e ouça a entrevista abaixo:



Nossa redação não conseguiu contato com os outros envolvidos citados no caso, mas a nossa reportagem está a disposição.