quinta-feira, 18 de junho de 2020

Coaprocor: A Cooperativa que deu certo e atende centenas de pequenos produtores; entrevista



A visita foi feita no viveiro de mudas da Aprocor de Corumbataí do Sul e além do professor Luciano Soares de Souza, de Barbosa Ferraz, e do técnico Joanil José Martins, estava presente o presidente da entidade, Olavo Aparecido Luciano, que apresentou e falou do trabalho realizado na cooperativa.

A Aprocor atende produtores da agricultura familiar, é uma cooperativa que está inserida na vida de centenas de pequenos produtores, espalhados por várias regiões do estado.

Além da poupa de frutas, a cooperativa também possui uma parceria de 10 anos com a Natura, para onde envia matéria prima, a semente do maracujá, que segue para o estado do Pará, onde é produzido o óleo do maracujá. Neste ano a cooperativa tem um contrato com a Natura de 70 mil quilos de sementes de maracujá.

A Natura também recebe as folhas de aroeira, utilizada na produção de cosméticos. Os produtores de folhas fazem parte de um grupo restrito, cerca de 10, com aproximadamente 500 plantas. Todas as árvores, que são nativas, foram numeradas e a produção segue normas rígidas de extrativismo sustentável. Além de tudo isso, a cooperativa iniciou a produção de 3.500 mudas de aroeira, que serão distribuídas para os produtores, inseridas na natureza em locais de preservação ambiental. Com dois anos as novas plantas começarão a produzir folhas para a Natura. 


Durante a visita, Olavo mostrou as instalações do novo barracão estufa, construído há cerca de um ano, com capacidade para produção de 200 mil mudas de maracujá, além de mudas de aroeira e café. A Coaprocor preparou o projeto há três anos e encaminhou ao governo do estado, que mais tarde aprovou e liberou recurso no valor de 420 mil reais. A prefeitura de Corumbataí do Sul entrou com a doação do terreno e a construção do imóvel residencial do caseiro.

Durante a visita Olavo comentou sobre um grave problema enfrentado há três anos. Uma virose no maracujá afetou diretamente a produção da indústria, que naquele momento trabalhava com 1.5 milhão de quilos de poupa de frutas por ano e com a doença no maracujá passou a produzir apenas um terço disso. 


Olavo falou ainda das dificuldades que a direção da cooperativa encontrou para sair da crise, com investimentos prontos para serem aplicados, eles precisaram buscar novas tecnologias para se recuperar e isso veio com a produção de mudas sadias. A planta é produzida na nova estufa e após 70 dias, chegando ao tamanho apropriado é entregue ao produtor, que na sua propriedade ainda a leva para uma estufa própria, para que chegue a 1.6 de altura aproximada e só depois do período da geada segue para o plantio no campo. Todo esse trabalho é acompanhado pela equipe técnica da cooperativa. 

Durante a visita o professor Luciano Soares perguntou como os interessados são inseridos na cooperativa e Olavo informou que necessariamente precisam fazer parte da agricultura familiar, fazer um cadastramento como cooperado, através de uma adesão. O agricultor precisa fazer parte do DAP (Certificado de aptidão da agricultura familiar, com renda anual menor que 360 mil reais).

Olavo também comentou que a cooperativa tem apoiado alguns produtores de banana de Barbosa Ferraz, que são cooperados. “Nós passamos a comercializar a banana porque nós sentimos a necessidade do produtor”; disse Olavo, que ainda revelou que as bananas também estão sendo inseridas na merenda escolar.


“A engrenagem tem que girar, o produtor tem que ganhar, a cooperativa tem que sobreviver e quem compra também tem que ganhar senão a gente deixa na mão e só compra uma vez [...], a engrenagem tem que girar inteira”; destacou Olavo, respondendo o questionamento do professor Luciano.

O professor Luciano ainda questionou o que Barbosa Ferraz poderia fazer para que a Aprocor entre mais na vida dos pequenos produtores do município.

“O que o município pode fazer para que a cooperativa tenha um transito melhor dentro do município da gente?”, questionou Luciano

Olavo falou que os produtores procuram a cooperativa de acordo com a necessidade deles, chegando na entidade em grupos, situação que acontece semanalmente e a inserção deles se dá através da demanda dos produtos no mercado e a necessidade de comercializar, como é o caso do carro chefe da cooperativa, como o maracujá, com a poupa de frutas. 


“O que necessita muito hoje é a mão de obra e a produção do maracujá exige isso e por isso hoje ainda não se encaixa em grande escala em outros municípios, por conta da falta de mão de obra [...], como é feita essa parceria da cooperativa, sempre o produtor com a secretaria de agricultura familiar”; destacou Olavo, que ainda comentou da parceria que é necessária com municípios em relação principalmente com o frete e entrega da produção. 

Para finalizar o encontro, o presidente Olavo ainda destacou diversos projetos de expansão que a cooperativa pretende aplicar no futuro, em especial na melhoria da qualidade da produção do maracujá. Olavo disse também que estão sendo iniciadas a produção de mudas de café, que serão entregues de acordo com a demanda dos associados.

Para finalizar o professor Luciano questionou a saída da crise e Olavo lembrou do período entre 2014 e 2017, que foi um momento difícil, superado com muito trabalho e dedicação, buscando novas tecnologias que fizeram a recuperação da cooperativa acontecer a partir de 2017.

A indústria pertencente a cooperativa está instalada na entrada da cidade de Corumbataí do Sul, na rodovia de acesso, já o escritório da cooperativa fica na Rua Guarani, no centro da cidade de Corumbataí do Sul. Neste período da pandemia a Coaprocor foi uma das poucas indústrias que não parou com as atividades, mantendo as atividades, sem desamparar seus associados.