domingo, 13 de dezembro de 2020

Barbosa Ferraz: Sem médico no hospital família aguarda por 6 horas liberação de corpo que ficou dentro de carro funerário


O caso aconteceu no início da tarde deste domingo (13), quando uma família do distrito do Pocinho, município de Barbosa Ferraz, procurou o Hospital Municipal para que fosse emitido o parecer de confirmação da morte de uma idosa que faleceu por volta das 10 horas da manhã deste domingo, na casa onde morava no distrito. A dona Macedonila, de 76 anos, fazia tratamento de um câncer, infelizmente não resistiu e acabou falecendo.

Após a confirmação da morte a família ligou para o serviço funerário de São João do Ivaí, onde eles mantinham um plano funerário e a equipe veio até o distrito do Pocinho para fazer a remoção do corpo até o Hospital Municipal de Barbosa Ferraz, para que o médico de plantão emitisse o documento atestando a morte e liberasse o corpo para a família realizar o velório. A família, junto com a funerária que trazia o corpo, chegou no hospital por volta das 13 horas.

Ao chegar na recepção do hospital a família foi informada, por funcionárias, que não havia médico de plantão naquele momento, já que o único médico de serviço no município, Dr Bruno, havia se deslocado para a cidade de Campo Mourão, para acompanhar um paciente de emergência que foi removido de ambulância e necessitava de acompanhamento médico durante o percurso. Foi comunicado também que outro médico (Dr Marcos) havia sido avisado e estava vindo de Maringá para ocupar o plantão.


(Imagem acima, a família da idosa falecida aguardava a chegada de um médico no hospital)

A reportagem da coluna do rato recebeu uma ligação telefônica por volta das 15 horas, onde uma senhora se identificou por Maria, que seria filha da idosa falecida. Esta senhora pediu que fossemos até o Hospital Municipal de Barbosa Ferraz para confirmar a situação e relatar o caso, já que se mostravam indignados com a situação vivida por eles, pois já estavam no local há mais de duas horas com o corpo da mãe dentro do carro funerário estacionado no pátio em frente ao Hospital.

Nossa reportagem deslocou até hospital e conversamos com alguns pacientes que aguardavam atendimento médico e também com a família da idosa. 


Conversamos também com servidoras do Hospital, na recepção, para questionar toda situação e dar voz ao outro lado da história. As servidoras confirmaram a situação e disseram que aconteceu um caso de emergência e o médico, Dr Bruno, precisou acompanhar o paciente grave até Campo Mourão.
"Eu já conversei com o Dr Marcos e ele está vindo", disse uma das servidoras de plantão.
Por volta das 16h30 nossa reportagem recebeu novamente uma ligação telefônica da família do distrito do Pocinho, avisando que o médico havia acabado de retornar de Campo Mourão, cerca de 4 horas após o deslocamento, mas que o médico que iria substituí-lo não apareceu até naquele horário. Eles então disseram que aguardavam a liberação do corpo, mas que foram informados de que o IML de Campo Mourão precisaria dar o documento de liberação do corpo, já que o médico no hospital não iria emitir um laudo atestando a morte com base na doença da idosa (câncer).

A família e o corpo da idosa, dentro do carro funerário, ficaram aguardando até por volta das 19horas da noite deste domingo, seis horas após chegarem com o corpo no hospital, quando conseguiram enfim a documentação e seguiram com o corpo para o velório.

Outros pacientes no hospital informaram que chegaram pouco antes das 13h e já não havia médico para atendê-los. Uma senhora de 74 anos, (imagem abaixo - de vermelho -) com pressão alta e diabetes, moradora do distrito de Tereza Breda, junto com a neta, já por volta das 16 horas, ainda aguardava atendimento médico sentada em um banco e conversou com nossa reportagem. 
"Eu não tenho como levar ela embora sem tomar um soro, sem tomar um medicamento", disse Audiele, neta da idosa.

A reportagem da coluna não conseguiu falar com o Secretário Municipal de Saúde de Barbosa Ferraz.